10/04/2009

Por que todas querem André Martins.

Para um grande amigo
E se por um minuto, todas elas pudessem resumir em um nome, todos os objetos de desejo, este seria: André Martins Guimarães.
Boas fotos em preto e branco, boa escrita, e pronto. Paixão-instantânea-aguda. Em último grau. Depois dos discursos sobre o assunto comum, disparam todos os sintomas que dilatam o sentimento. Os livros prediletos e os trechos que se auto escrevem em nossos pensamentos. A banda, favorita, a canção eterna que passamos a gostar como se há muito fosse conhecida. M-A-Y-B-E T-O-M-O-R-R-O-W. O filme fantástico, o esporte das bolinhas amarelas e principalmente o seu time de coração.
Em azar puríssimo, aquelas que podem ouvir a boa voz e sentir a boa pele talvez se condenem a um martírio inigualável. Depois do abraço, o peito dói como em doença quando não há resposta, quando o telefone não atende, quando disparam todos os clamores de saudades em seu disputado painel de declarações.
Magnético. Todas já sentiram e haverão de sentir saudades de André Martins. Algumas por se lembrarem do primeiro beijo na porta do restaurante, na calçada, nos primeiros minutos do novo ano. Outras, sentem falta das incríveis e quilométricas conversas em madrugadas quaisquer e por angustiarem-se na dúvida se o que é maravilhoso existe. Unânime é que todo o encanto já possui um lugar só dele. E por mais que a fábula se encerre, ou que toda a distância se evidencie... Por mais que se afastem, se casem, tenham filhos. E mesmo que se esqueçam, para sempre irão se lembrar dos dias em que eternamente amaram André Martins.

02/04/2009

25 dias depois.

O que diria então, para os olhares que estariam por vir?
O que lhes diria em frente a todas as perguntas, posto que em ato de antecipação da dor, poderia prever todas elas, disparando, ferindo, torturando. Não lhe cabia escolha. Já sabia, que o que lhe restava para todas as desculpas, primeiro as inevitáveis, depois as imagináveis era o perdão duvidoso.
Como conformar-se com a fraqueza inarrável? Como conformar-se em não ser forte para afrouxar os nós, impedir a queda, fechar o corte? Como se fez o egoísmo tão presente, para irreversivelmente cegar-lhe os olhos do coração? Fechar-lhe as janelas para o que era tão vizinho? Como pode não ver que aos centímetros próximos restava o nada. Nem dor, nem amor; foi tudo varrido.

Chorou.
Desmereceu-se. Odiou-se em incontáveis formas. Odiou-se na forma máxima do sentimento.
Chorou e chorou. Inundou as próprias horas em inigualável dor, remorso, medo.

23/03/2009

C.C.B.

De Perdição
Chorava, chorava! Assim eu lhe soubesse dizer o doloroso sobressalto que me causaram aquelas linhas, de propósito procuradas, e lidas com amargura e respeito e, ao mesmo tempo, ódio. Ódio, sim... A tempo vereão se é perdoável o ódio, ou se antes me não fora melhor abrir mão desde já de uma história que me pode acarear enojos dos frios julgadores do coração, e das sentenças que eu aqui lavrar contra a falsa virtude de homens, feitos bárbaros, em nome da sua honra.
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De Salvação
Além de que a felicidade, como história, escreve-se em poucas páginas: é idílio de curto fôlego; no sentir intraduzível da consciência é que ela encerra epopeias infinitas - enquanto que a desgraça não demarca balizas à experiência nem à imaginação.
Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação; as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas seria uma fábula.
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"Inevitável. Já não lhe adiantava insistir em negar por todas as vezes. Era repetido, incansável e latente. Desta vez, não havia provérbio chinês que lhe coubesse, não possuia fragmentos que lhe bastassem. Suas linhas já estavam gastas. E o que lhe foi previsto, desde o início, agora se fazia declarado. O estrago anunciado agora se fazia confesso."
"Duzentas Páginas"

12/03/2009

Muitos dias, meses, anos depois (ou Da Vinci no solarium)

Nono andar. Oitavo andar. Sétimo Andar. Nunca soube por que o painel tinha o número zero, se usualmente jamais seria dito Zero Andar. E decidiu, ali, com certeza haveria de estar a letra T. Térreo. O número Z-E-R-O era quase um absurdo, pairava as impressões de uma ofensa.
Estava de fato, surpresa.
Entre os primeiros minutos, aquele espécie de lugar-comum entre dois que passaram tempos equivalentes a quase-séculos, sem nenhum encontro. Em nenhum grau. Faróis. Restaurantes fast-foods. Festas mais esperadas. Paradas pela paz nacional. Filas de supermercado. Estacionamentos. Desde o dia de que já não se lembram, não mais se viram. Também vou muito bem, obrigada. Exceto os cabelos você continua igual. Qual é mesmo a data do seu aniversário?
E as palavras, como sempre, dispararam. As palavras sempre disparam. E depois das escadas, puderam disparar no mais alto de tudo ali.
O azul não era perfeito, são muitos os livros que narram aos pares um azul em melhor tom.
Eram apenas duas estrelas, uma lua apagada e sua aura imensa.
Entre a escolha da melhor perspectiva e a afirmação de que, verdadeiramente, ela podia enxergar melhor, lembrou-se de tudo, imediatamente. As camisetas verdes. São Paulo e o lugar mais bonito de suas vidas. As flores. O terno e a timidez inesquecível.
Não devíamos ter nos afastado.
Desculpe, tenho que acordar cedíssimo. Culpa da dependência no último ano.
Boa noite.

Ela sabia, que haveriam palavras e verbos para todas as estrelas que não estavam ali, mas não há argumentos que disputem com o terrível desafio de acordar cedíssimo

Sim, não deveriam ter se afastado.

07/03/2009

em primeira pessoa.

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem.
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar.
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV que eu vou de vez.
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"Não há porque chorar por um amor que já morreu"
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(Entenda-se como um desejo de boa viagem. Boa viagem, boa sorte. Bons cafés sem a minha insitência na canela. Bons filmes sem àgua com gás. Bom almoço sem o meu prato vegetariano. Bom jantar sem os meus guardanapos escritos. E sim, eu sentirei a sua falta, querido)
The end.

01/03/2009

Porque inflamar é melhor que durar?

Mantenha seu amor trancado.
(Inatingível, inabalável)

Por quanto tempo você esperaria? Por toda a vida.

24/02/2009

Sobre 24/02 e Soneto de Véspera


No início, achou que poderia ser apenas cansaço e que talvez dormir por horas afastasse todo o mal que lhe afligia. Mas não resolveu. Desejou então, dormir por dias, dias e noites e mais alguns dias.
Nada resolvia. De nada adiantava ignorar tudo lá embaixo. As pessoas, os carros, e mais uma vez, os trens e os trilhos. Nada resolvia.
Nem mesmo o retrato vermelho, nem todos os cafés e a mesma canção favorita. Nada parecia tranquilizar o seu coração aflito.
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?
(V. M, Oxford 1939)

Odiou mais uma vez todo o calor dos últimos meses.
E jurou que se fosse por ela, e para ela somente, todos os meses seriam de inverno. Frio em todos os dias e noites, neblina em todas as suas manhãs.

15/02/2009

I.E.E.

Não sabia o que falar.
Depois não soube o que escrever.

Em todo, eram só os pensamentos, novamente em chamas.
Em instantes lembrou mais uma vez de tudo o que lhe fazia falta, por sua singularidade. Por ser inesquecível. Pensou em chamar novamente, pensou em dizer tudo. Pensou que talvez não houvesse nada mais a ser perdido. Já que de tudo, o que restou lhe parecia sempre inerte: Desejo imensurável, específico. Excessivo.

"É preciso saber esquecê-las, quando são muitas, e ter a grande paciência de esperar que retornem por si. Pois as lembranças em si ainda não não o são. Só quando se tornarem sangue em nós, olhar e gesto, sem nome, não mais distinguíveis de nós mesmos, só então pode acontecer que numa hora muito rara se erga do meio delas a primeira palavra de um poema" (OS CADERNOS DE MALTE LAURIDS BRIGGE - Rainer Maria Rilke, 1910 - Sonho de consumo ou o livro que eu ainda não li).
(-Boa noite, caso você não consiga dormir, me ligue.
COMPLACÊNCIA– Não, você não irá escrever sobre isso.
-Só recebi agora a sua mensagem ... Dormindo? 16/06/2008 - 03:10)

07/02/2009

Sentimentos próprios em composições alheias

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem

Quem vai transformar a perda em nossa recompensa?

Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
Às vezes eu pressinto e é como uma saudade de um tempo que ainda não passou
Por trás do seu sossego, atraso o meu relógio, acalmo a minha pressa
Me dá sua palavra. Sussurre em meu ouvido - O caos do pensamento.
A pausa do retrato
A voz da intuição
A fórmula do acaso
O alcance da promessa - O salto do desejo.

"Não conseguia entender-se nem equilibrar-se, chegou a pensar em dizer tudo".
"- Vou-me embora, repetia... E essa oração intercalada trazia uma ideía original e profunda inventada pelo céu unicamente para ele".
"Sem que ele(a) pudesse acalmar-se nem entender-se. Não estava bem em parte nenhuma".
(M.A. Várias Histórias / Uns Braços / página 27)


04/02/2009

Sobre 03/02

Seu olhar em 3 segundos.
Sim, talvez fora melhor não ter saído aquela noite.
Decidiu que não gostara da forma que seus olhos a viram.
E repetiu a noite toda, durante a chuva e depois dela, dentre outras coisas latentes: eu não gosto da forma como me olha, eu não gosto..."


Eu não me esqueço do seu olhar.
"É bom dizer, em voz alta: nada aconteceu. Mais uma vez: nada aconteceu" (Rainer Maria Rilke, poeta tcheco-austríaco)