14/12/09

Inspi(red)


Palavras enfileiradas em seus discursos de improviso.
Sobressaltos nos poucos passos dados em escadas breves.
Para o que há do outro lado, trancado a 3 chaves, delírios embebidos nos segundos de espera.

Às claras, respirar com vertigem frente a frente, derramando palavras, dizendo com os olhos, do silêncio que não é mudez.

Inspiração real e pronta. Labirintos cegos de fôlego curto.
Puro açúcar branco e preto.
Doçura venenosa de tão funda.

Antigo


E mesmo sabendo que já era dito, escrito, estendido em várias letras, achou que caberia bem repetir mais uma vez, para fazer valer: não gostava muito do calor dos últimos dias. Eufêmica, claro. Em linhas sinceras, diria que odiava muito o calor dos últimos dias.
Pensou que sem o sol, não haveria essa sede de beber os mares. Talvez sem o sol dos dias, findaria e dessa vez para sempre, esses súbitos vindos em maus sonhos. Nem pesadelos nem devaneios. Somente gestos atados e palavras esbravejadas no silêncio.
O sol dos dias invadia a sua casa, como se descobrisse-lhe o coração. Por horas, não coração. E suas declarações de ciúmes amargos, ódios vagos e estúpidos. O sol dos dias caia sobre os seus sorrisos de metáfora. Iluminava a pilha das cartas sobre as cartas. O sol dos dias, alardeava as lágrimas confessadas ou secretas. Lágrima de amor, calor e parabéns para você.

Ninguém lhe nega coração excelente e claro espírito, mas a imaginação é que e o mal - Metafísica.

Olhe, eu podia mesmo contar-lhe a minha vida inteira, em que há poucas outras coisas interessantes, mas era preciso tempo, ânimo e papel, e eu só tenho o papel; o ânimo é frouxo e o tempo assemelha-se à lamparina de madrugada. Não tarda o sol do outro dia, um sol dos diabos, impenetrável. (Machado de Assis)

22/10/09

Então,

que seja doce.

Sobretudo, agora e como não era há tempos, estava feliz.
Mesmo com o calor dos dias, estava feliz. Esqueceu, de uma vez por todas, e da forma como devia, das flores que nunca vieram, das taças que não dividiram, dos lençóis que não estiveram, e do beijo que repousou em silêncio. Agora, a felicidade, cintilava em seus varais. E ainda, lhe restavam as 6 vidas, que multiplicadas, seriam infinitas.
Os mais importantes, estavam todos ali. E a certeza de que eram únicos e suficientes, se eternizava nas canções, nos fast-foods, nas incontáveis bebidas alemães. Hoje, escreveria em m suas paredes, em vermelho, para não faltar a cor: Queridinho, sobre as pessoas especiais, já as encontrei. E além, assinaria com um obrigadíssimo em letras garrafais.
E afirmou que sobretudo, as palavras, ditas e imagináveis, para sempre seriam mais importantes que os números, porque assim já está feito, já é decidido. Nada mais importante que as palavras.
Estava feliz. Em superlativo.


"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim, que seja doce ." Caio F.

30/09/09


Dessa ausência tão bem cultivada, talvez não me sobre nada.

São dias em que me perco em tudo o que me cerca. São esses anjos tristes perto de mim, pousados em minha janela como pêndulos de solidão. Enquanto mamãe toca piano no caos, recolho os nossos cacos pela casa, talvez sabendo que esses são para sempre e assim é o nosso fim. São todas as músicas e o caos.
Enquanto tomo o café sem as gotas de salvação, tenho saudades de tudo. Vovó, por que me deixou aqui, sem o seu terço de brilhantes, sem nem saber para quem rezar? E onde estaria o para sempre escrito nas linhas tortas daquela noite?
E o coração espatifado entre as lágrimas que já não posso contar, não responde.
Não me esbarro nos móveis e assim, me estranho: “Você adora esbarrar nos móveis – ele diz”. (E querido, sinto a sua falta. Continuo ensaiando a nossa canção)
Gostaria de picar o meu catálogo de erros. Costume antigo. Todos ilustres, bem postos, como figuras coloridas de coleção. Gostaria de calar todo esse silêncio embebido em minhas vozes magoadas. Gostaria de estancar essas súplicas destiladas, e não tê-las me bastaria. Confundo-as, palavras e lágrimas, as minhas palavras são as minhas lágrimas.

Não escondas as tuas misérias: podes ter segurança com aquele que gosta dos teus defeitos, porque aos teus encantos e qualidades qualquer um se afeiçoa.
(Héctor Abad Faciolince, Receitas de Amor para Mulheres Tristes)

É quando ouço papai dizer: Durma querida, logo passa.

29/08/09

Muito Sentimental.

Eu gosto do nada - Nada que te leve para longe.

95.
Assim, puro e simples. Muito Sentimental.
Sentimentalismo esbarrando entre os móveis, evaporando através das cortinas. Estampando as novas almofadas. Alinhado nos milhares de cabides. Sentimentalismo envolto nos mal contados cigarros pláticos.
Lustrando as xícaras de café.
sen.ti.men.ta.lis.mo sm (sentimental+ismo) 1 V sentimentalidade. 2 Exagero do sentimento e dos afetos ternos. 3 Afetação nas demonstrações de sentimento. 4 Filos Doutrina que preconiza o princípio de que, no homem, existem sentimentos que são a origem das idéias morais. 5 Gênero literário ou artístico em que se nota o predomínio do sentimento, que, por vezes, chega ao exagero.
Pensou nos dias passados, na saudade do que não veio. Na angústia pelo que certamente não virá. EXAGERADO (amor da minha vida...). Sentimentalismo exagerado nos minutos entre linhas. Nas pausas do grafite. SENTIMENTALISMO entre os talheres, as toalhas. Sentimentalismo dentro dos frascos de perfume, enlacando as pérolas. Sentimentalismo. Sentimentalismo. Sentimentalismo.

Chorou chorou. Choro muito sentimental. Talvez fosse o travesseiro de plumas muito sentimentais. O Retrato muito sentimental. O Maltês Sentimental. EXAGERADO, ENFIM, MUITO SENTIMENTAL.

(E de telefone - SE DO OUTRO LADO É A SUA VOZ)

14/08/09

Escritor Vagabundo

"(Às) As Eternidades Finitas
Meu gosto seria o de escrever um livro
os versos seriam curtos demais, simples demais
então antecipou-se a fadiga
infinita ao se pensar no esforço,
infinito da repetição de rituais,
infinitos em eternidades, finitas"

Por Thiago F.
(Inexplicavelmente, à primeira vista)

08/07/09

6 vidas.


"Da primeira vez em que morri", posso me lembrar bem, havia pares de motivos para eu não estar ali. Para não estar naqueles passos. Motivos para continuar a noite entre as paredes comuns e um jantar qualquer. Mas não. Eu estava lá.
Da primeira vez em que morri, e agora, que poderia estar viva, gostaria de esquecer as palavras, esquecer o seu rosto, apagar as marcas invisíveis daquelas mãos.
Da primeira vez que morri, como poderia agora, que já perdi uma vida, esquecer-me?

Lights will guide you home And ignite your bones And I will try, to fix you.

19/06/09

Onde estaria com a cabeça?

(Em Marte, certeza)
Trecho de algo escrito há 3 anos.

...O amor nasce. Ao mesmo tempo em que se atende ao telefone e seu sino de toque estrídulo, acelerador de corações, causador de guerras com móveis em busca do tesouro alô. Nasce em cafés, que jazem esquecidos em xícaras impercebíveis, em meio à voluptuosa dança de olhares que paira sobre os polos da mesa cruzados por um enlace de mãos. Nasce em meio ao insistir de acordes, que já não são mais violino e piano, somente inspiração. Nasce no congelar de sentido, onde toda a atenção dos olhos pousa sobre o carmim dos lábios, que ele resiste em não tocar e ela em não oferecer. Corpos enlaçados pela pressa da máquina de subir e descer, e ele nasce. Com cinco minutos de atraso ou outros poucos deles adiantados, o amor nasce. Nasce na morte do pagão ódio, ao se deparar com a misericórdia divina, no meio do caminho para a crucificação. No contestar da pretensão ridícula de profetas de corações mal-curadosm que instaura nos ouvidos de quem passa pelas esquinas, a barbárie de querer velá-lo a todo instante, o amor nasce.
O Amor Nasce. Jéssica C, 30/06/2006

(Intertextualidade do meu favorito, o Amor Acaba, de Paulo Mendes Campos)

Tenho que confessar. Tinha um professor de Língua Portuguesa, que até hoje, me irrita a lembrança. Um desperdício de oxigênio, neste nosso penoso planeta. Só me fez bem, ao expulsar-me da sala, todas as vezes. - Se lembranças pudessem se suicidar, garanto, essas já teriam feito. Pulariam do mais alto andar, dizendo em estrídulo: P, sempre te odiei. Adeus.

10/06/09

e o nome amores.

Com o sol, pediu que saísse.
Que saísse da forma concreta. Pediu a providência cuidadosa de que retirasse tudo o que pudesse ficar como lembranças. Delas, bastariam as que já estavam pousadas sobre as toalhas brancas, os copos de vinho e os cinzeiros repletos. Para lembrar, bastariam uns dois ou três almoços, os instantes de silêncio após as canções. Bastaria o perfume instaurado em seus movéis, e isso tudo já era demais.
No congelamento que se fazia, pensou em colocar um disco, ensaiou uns gestos de dobrar lençóis. Não queria dizer o que sempre é dito, que de tudo, algo haveria de permanecer. Que iriam se falar, não esqueceriam os e-mails, e se esbarrariam, sem dúvida, entre os cafés e os semáforos. Preferiu o legítimo adeus em sua urgência absoluta, pedindo que deixasse as chaves sobre o criado e que aquele fosse o fim.
(Jéssica C.)
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(Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. - Fragmentos, Caio Fernando Abreu)
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03/06/09

Valerá o pecado.

de Shakespeare.
Será que meu coração me engana?
É verdade o que vejo?
Jamais tivera visto tanta beleza até esta noite.
(Romeu, ao encontrar e apaixonar-se por Julieta)

Mil vezes boa noite (milhares).
Partir é uma dor tão doce que poderia dizer-te boa noite até amanhã.
(Julieta, ao despedir-se, apaixonada, de Romeu)

(é como estou em você, assim como para sempre, estará em mim)
Podia vê-la transbordar pelas cortinas, inundar as paredes, espatifar-se entre os retratos, sobre
o vermelho, sobre as pinturas já feitas e aquelas que ainda faltavam colorir. Estava posta entre as canções, os lençóis, instaurada em inércia dentre as milhares de palavras. Como se declarasse, em confissões uníssonas, que jamais iria partir. Não a deixaria.
(não durma)