(Em Marte, certeza)
Trecho de algo escrito há 3 anos.
...O amor nasce. Ao mesmo tempo em que se atende ao telefone e seu sino de toque estrídulo, acelerador de corações, causador de guerras com móveis em busca do tesouro alô. Nasce em cafés, que jazem esquecidos em xícaras impercebíveis, em meio à voluptuosa dança de olhares que paira sobre os polos da mesa cruzados por um enlace de mãos. Nasce em meio ao insistir de acordes, que já não são mais violino e piano, somente inspiração. Nasce no congelar de sentido, onde toda a atenção dos olhos pousa sobre o carmim dos lábios, que ele resiste em não tocar e ela em não oferecer. Corpos enlaçados pela pressa da máquina de subir e descer, e ele nasce. Com cinco minutos de atraso ou outros poucos deles adiantados, o amor nasce. Nasce na morte do pagão ódio, ao se deparar com a misericórdia divina, no meio do caminho para a crucificação. No contestar da pretensão ridícula de profetas de corações mal-curadosm que instaura nos ouvidos de quem passa pelas esquinas, a barbárie de querer velá-lo a todo instante, o amor nasce.
O Amor Nasce. Jéssica C, 30/06/2006
(Intertextualidade do meu favorito, o Amor Acaba, de Paulo Mendes Campos)
Tenho que confessar. Tinha um professor de Língua Portuguesa, que até hoje, me irrita a lembrança. Um desperdício de oxigênio, neste nosso penoso planeta. Só me fez bem, ao expulsar-me da sala, todas as vezes. - Se lembranças pudessem se suicidar, garanto, essas já teriam feito. Pulariam do mais alto andar, dizendo em estrídulo: P, sempre te odiei. Adeus.
19/06/2009
10/06/2009
e o nome amores.
Com o sol, pediu que saísse.Que saísse da forma concreta. Pediu a providência cuidadosa de que retirasse tudo o que pudesse ficar como lembranças. Delas, bastariam as que já estavam pousadas sobre as toalhas brancas, os copos de vinho e os cinzeiros repletos. Para lembrar, bastariam uns dois ou três almoços, os instantes de silêncio após as canções. Bastaria o perfume instaurado em seus movéis, e isso tudo já era demais.
No congelamento que se fazia, pensou em colocar um disco, ensaiou uns gestos de dobrar lençóis. Não queria dizer o que sempre é dito, que de tudo, algo haveria de permanecer. Que iriam se falar, não esqueceriam os e-mails, e se esbarrariam, sem dúvida, entre os cafés e os semáforos. Preferiu o legítimo adeus em sua urgência absoluta, pedindo que deixasse as chaves sobre o criado e que aquele fosse o fim.
(Jéssica C.)
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(Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. - Fragmentos, Caio Fernando Abreu)
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03/06/2009
Valerá o pecado.
de Shakespeare.
Será que meu coração me engana?
Será que meu coração me engana? É verdade o que vejo?
Jamais tivera visto tanta beleza até esta noite.
(Romeu, ao encontrar e apaixonar-se por Julieta)
Mil vezes boa noite (milhares).
Partir é uma dor tão doce que poderia dizer-te boa noite até amanhã.
(Julieta, ao despedir-se, apaixonada, de Romeu)
(é como estou em você, assim como para sempre, estará em mim)
Podia vê-la transbordar pelas cortinas, inundar as paredes, espatifar-se entre os retratos, sobre
o vermelho, sobre as pinturas já feitas e aquelas que ainda faltavam colorir. Estava posta entre as canções, os lençóis, instaurada em inércia dentre as milhares de palavras. Como se declarasse, em confissões uníssonas, que jamais iria partir. Não a deixaria.
(não durma)
29/05/2009
prosinha
Para Fernanda Gaseta
1- Do livro, Mil Corações Solitários, achou que poderia paracer-se com o seu, embora não fosse Mil, e nem tão Solitários assim. Depois pensou novamente, e achou que talvez não se assemelhassem em nada, posto que ela não mataria ninguém. Uma vez meteu os pés pelas mãos, quis matar o cachorro, pobre pelúcia inocente. E houve vezes, em que potencializou o verbo em frases de raiva. Várias delas. Se pudesse terminar com tudo, mataria ele, ela e aquele outro também, que você bem sabe... Se pudesse matar essa fila toda, pagaria o embrulho em 13 minutos, visto que são 13 pessoas e faria tudo de forma breve... Mas de verdade, aquela verdadezinha que se enconde mas não se extingue, de verdade, não mataria ninguém. Nem o cachorro,vejam só, conseguiu enforcar.
"Tem horas que eu fico soluçando, só de pensar. Acho que a gente soluça quando o pensamento atropela a respiração.
E aí a respiração sai do ritmo, fico soluçando, demora para voltar, ainda mais quando eu penso, penso na vida sem conseguir parar nunca. Só posso conversar com você, que é da minha idade".
Fragmento 15, página 47. Mil Corações Solitários, Hugo Almeida.
1- Do livro, Mil Corações Solitários, achou que poderia paracer-se com o seu, embora não fosse Mil, e nem tão Solitários assim. Depois pensou novamente, e achou que talvez não se assemelhassem em nada, posto que ela não mataria ninguém. Uma vez meteu os pés pelas mãos, quis matar o cachorro, pobre pelúcia inocente. E houve vezes, em que potencializou o verbo em frases de raiva. Várias delas. Se pudesse terminar com tudo, mataria ele, ela e aquele outro também, que você bem sabe... Se pudesse matar essa fila toda, pagaria o embrulho em 13 minutos, visto que são 13 pessoas e faria tudo de forma breve... Mas de verdade, aquela verdadezinha que se enconde mas não se extingue, de verdade, não mataria ninguém. Nem o cachorro,vejam só, conseguiu enforcar.
"Tem horas que eu fico soluçando, só de pensar. Acho que a gente soluça quando o pensamento atropela a respiração.
E aí a respiração sai do ritmo, fico soluçando, demora para voltar, ainda mais quando eu penso, penso na vida sem conseguir parar nunca. Só posso conversar com você, que é da minha idade".
Fragmento 15, página 47. Mil Corações Solitários, Hugo Almeida.
21/05/2009
Neblina, propósito e anestesia - 2.
"São atos estranhos à razão, dos quais só pode desculpar-se o delírio".(página 40)
"E assim, lhes surgem os irremediáveis infortúnios, os ódios irreconciliáveis e as afrontas que levantam as campas, encerram algozes e vítimas e ficam ainda de pé sobre as louças inflamadas".
(página 25)
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(de Salvação, Camilo Castelo Branco)
10/05/2009
e quantas ainda lhe restam?

Posto que, dentre todas as coisas do mundo que desejamos, há o que jamais virá e o que não irá perdurar, visto que por hora mínima, até os sentimentos de fontes secas, nos parecem ser incontroláveis. E por último, e por sua vez mais importante, há aquilo pelo qual irá valer cada instante da espera.
(Olhar, quando já não se acredita no que se vê.
Não se querer nada além do que está à nossa volta - CFA)
19/04/2009
Vermelho.
Juan: What do you want? Cristina: I want something different.
Juan: What?
Cristina: I don't know, not this.
Juan: There's no answer, Cristina...
Maria Helena : Antonio no lo entiendes que no ha conseguido lo que queria, quiere otra cosa, que esto ja no le basta, que es como una efermidad, que nunca le va bastar con nada!
Cristina: Don't get so upset, please.. and can you speak english please? I can't understand you.
Maria Helena: Esta niña nunca le va bastar con nada.
Juan Antonio: Please speak in English.(...)
Maria Helena: Como lo sabia! Como lo sabia!
Juan Antonio: Speak English, please, so she can understand all right?
Maria Helena: Chronic dissatisfaction, that's what you have. Chronic dissatisfaction. Big sickness. Big sickness.
(aceitava sofrer como um componente da paixão e se resignava a pôr em risco seus sentimentos e - o que você quer da vida além de um homem com a cueca certa ?)
(Vick Cristina Barcelona)
Fascínio.
Não somente pelo vermelho e por ser latente em cada instante. O fascínio está em razão de ser o amor de tão difícil definição. Fascínio por dilatar que o amor requer o equilíbrio perfeito. Sem que este seja conhecido. Como se de algum modo, a perfeição pudesse caber entre as esferas do provável, do possível e do imaginável. Aquilo que fabulosamente se deseja. É a inquietação crescente e inevitável, da qual (em primeiríssima pessoa) tenho pavor, mas conheço muito bem.
É brilhante aos olhos, brilhante aos ouvidos.
Obrigadíssimo.
10/04/2009
Por que todas querem André Martins.
Para um grande amigoE se por um minuto, todas elas pudessem resumir em um nome, todos os objetos de desejo, este seria: André Martins Guimarães.
Boas fotos em preto e branco, boa escrita, e pronto. Paixão-instantânea-aguda. Em último grau. Depois dos discursos sobre o assunto comum, disparam todos os sintomas que dilatam o sentimento. Os livros prediletos e os trechos que se auto escrevem em nossos pensamentos. A banda, favorita, a canção eterna que passamos a gostar como se há muito fosse conhecida. M-A-Y-B-E T-O-M-O-R-R-O-W. O filme fantástico, o esporte das bolinhas amarelas e principalmente o seu time de coração.
Em azar puríssimo, aquelas que podem ouvir a boa voz e sentir a boa pele talvez se condenem a um martírio inigualável. Depois do abraço, o peito dói como em doença quando não há resposta, quando o telefone não atende, quando disparam todos os clamores de saudades em seu disputado painel de declarações.
Magnético. Todas já sentiram e haverão de sentir saudades de André Martins. Algumas por se lembrarem do primeiro beijo na porta do restaurante, na calçada, nos primeiros minutos do novo ano. Outras, sentem falta das incríveis e quilométricas conversas em madrugadas quaisquer e por angustiarem-se na dúvida se o que é maravilhoso existe. Unânime é que todo o encanto já possui um lugar só dele. E por mais que a fábula se encerre, ou que toda a distância se evidencie... Por mais que se afastem, se casem, tenham filhos. E mesmo que se esqueçam, para sempre irão se lembrar dos dias em que eternamente amaram André Martins.
Boas fotos em preto e branco, boa escrita, e pronto. Paixão-instantânea-aguda. Em último grau. Depois dos discursos sobre o assunto comum, disparam todos os sintomas que dilatam o sentimento. Os livros prediletos e os trechos que se auto escrevem em nossos pensamentos. A banda, favorita, a canção eterna que passamos a gostar como se há muito fosse conhecida. M-A-Y-B-E T-O-M-O-R-R-O-W. O filme fantástico, o esporte das bolinhas amarelas e principalmente o seu time de coração.
Em azar puríssimo, aquelas que podem ouvir a boa voz e sentir a boa pele talvez se condenem a um martírio inigualável. Depois do abraço, o peito dói como em doença quando não há resposta, quando o telefone não atende, quando disparam todos os clamores de saudades em seu disputado painel de declarações.
Magnético. Todas já sentiram e haverão de sentir saudades de André Martins. Algumas por se lembrarem do primeiro beijo na porta do restaurante, na calçada, nos primeiros minutos do novo ano. Outras, sentem falta das incríveis e quilométricas conversas em madrugadas quaisquer e por angustiarem-se na dúvida se o que é maravilhoso existe. Unânime é que todo o encanto já possui um lugar só dele. E por mais que a fábula se encerre, ou que toda a distância se evidencie... Por mais que se afastem, se casem, tenham filhos. E mesmo que se esqueçam, para sempre irão se lembrar dos dias em que eternamente amaram André Martins.
02/04/2009
25 dias depois.
O que diria então, para os olhares que estariam por vir?O que lhes diria em frente a todas as perguntas, posto que em ato de antecipação da dor, poderia prever todas elas, disparando, ferindo, torturando. Não lhe cabia escolha. Já sabia, que o que lhe restava para todas as desculpas, primeiro as inevitáveis, depois as imagináveis era o perdão duvidoso.
Como conformar-se com a fraqueza inarrável? Como conformar-se em não ser forte para afrouxar os nós, impedir a queda, fechar o corte? Como se fez o egoísmo tão presente, para irreversivelmente cegar-lhe os olhos do coração? Fechar-lhe as janelas para o que era tão vizinho? Como pode não ver que aos centímetros próximos restava o nada. Nem dor, nem amor; foi tudo varrido.
Chorou.
Desmereceu-se. Odiou-se em incontáveis formas. Odiou-se na forma máxima do sentimento.
Chorou e chorou. Inundou as próprias horas em inigualável dor, remorso, medo.
23/03/2009
C.C.B.
De Perdição
Chorava, chorava! Assim eu lhe soubesse dizer o doloroso sobressalto que me causaram aquelas linhas, de propósito procuradas, e lidas com amargura e respeito e, ao mesmo tempo, ódio. Ódio, sim... A tempo vereão se é perdoável o ódio, ou se antes me não fora melhor abrir mão desde já de uma história que me pode acarear enojos dos frios julgadores do coração, e das sentenças que eu aqui lavrar contra a falsa virtude de homens, feitos bárbaros, em nome da sua honra.
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De Salvação
Além de que a felicidade, como história, escreve-se em poucas páginas: é idílio de curto fôlego; no sentir intraduzível da consciência é que ela encerra epopeias infinitas - enquanto que a desgraça não demarca balizas à experiência nem à imaginação.
Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação; as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas seria uma fábula.
Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação; as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas seria uma fábula.
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"Inevitável. Já não lhe adiantava insistir em negar por todas as vezes. Era repetido, incansável e latente. Desta vez, não havia provérbio chinês que lhe coubesse, não possuia fragmentos que lhe bastassem. Suas linhas já estavam gastas. E o que lhe foi previsto, desde o início, agora se fazia declarado. O estrago anunciado agora se fazia confesso."
"Duzentas Páginas"
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